O Atendimento ao Idoso no Setor de Cuidados Prolongados
LIMA FILHO, João Batista; BLANCO, Marilia Bazan; SASAJIMA, Erica Noriko.
O setor de Cuidados Prolongados presta serviços assistencias e de reabilitação, e conta com apoio médico, de enfermagem, psicologia, assistência social, fisioterapia, nutrição e educação física, e tem como meta principal garantir, no que diz respeito a cuidados paliativos, uma melhor qualidade de vida até a morte, e em reabilitação a melhora da independência funcional no retorno ao lar. No setor, existe uma rotina de cuidados de enfermagem, onde são programas as atividades relacionadas a higiene pessoal e o controle das medicações, e os funcionários são treinados a estimular a realização das AVDs da forma independente. Existe ainda uma rotina de exercícios físicos e atividades lúdicas e ocupacionais diárias, assim como treino para a realização das AVDs. As dietas são controladas pela nutricionista e elaboradas de acordo com a necessidade do paciente. E ainda, o ambiente é estruturado de modo a quebrar as barreiras arquitetônicas: existem rampas de acesso, as portas são largas, há corrimão nas escadas e corredores, assim como barras de apoio nos sanitários. Neste ambiente, e com o tratamento oferecido, observou-se uma melhora significativa na independência funcional dos pacientes internados para reabilitação. Até o final de 2005, dos 129 pacientes atendidos no setor, 57% obtiveram melhora em pelo menos 2 AVDs e 25% tiveram alta com independência funcional ou dependência leve para 1 ou 2 AVDs; observou-se também melhora no aspecto psicológico e social dos pacientes. No entanto, um outro dado importante tem sido o índice de reincidência de pedidos dos pacientes com alta para novas internações; cerca de 22% dos pacientes solicitaram outra internação. Acredita-se que este fato seja justificado, em grande parte, pelas dificuldades apresentadas no seguimento do tratamento em casa. De acordo com uma pesquisa realizada no ano de 2004 com seis familiares responsáveis por pacientes idosos internados no setor de reabilitação, obteve-se as seguintes informações a respeito das principais dificuldades enfrentadas por estas nos cuidados realizados em casa: 1) falta de informação sobre a doença e seu tratamento podendo ser em decorrência de falta de informações fornecidas pelo médico e equipe de saúde, ou então pela dificuldade de compreensão dos próprios familiares; 2) dificuldades financeiras para obtenção de medicamentos e alimentos recomendados; 3) e estrutura da casa, como portas estreitas e escadas, que dificultam ou impedem a passagem de cadeiras de rodas e a ausência barras de apoio; 4) falta de preparo dos familiares no sentido de estimular a independência na realização das AVDs e 5) stress do cuidador. Com o intuito de minimizar essas dificuldades, tem-se proposto uma preparação para alta hospitalar como parte do tratamento de reabilitação. Esta preparação incluiria: 1) orientações sobre a doença e tratamento, fornecidas pelos diversos profissionais, de acordo com o grau de escolaridade e necessidade de cada família; 2) treinamento para autonomia em AVDs para os familiares e explicações sobre os níveis de ajuda necessários, realizados semanalmente nas dependências do próprio hospital; 3) orientações sobre as adaptações necessárias na casa realizado desde o início do tratamento, para que a família tenha tempo hábil para realiza-la ; 4) orientações sobre como evitar o stress do cuidador e 5) acompanhamento após alta.
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